Quarta-feira, 5 de maio de 2021

Oie

Eu sinto falta do J e penso bastante nele, imagino o que ele está fazendo e se ele está bem, penso que queria que ele estivesse aqui comigo. Às vezes estou olhando o Instagram e vejo algo engraçado ou idiota e tenho vontade de mostrar pra ele, ou me sinto muito triste e é nessas horas que mais tenho vontade de conversar com alguém que entenda o que eu estou falando, e o J sempre entendia.

Nesse tempo, tentei avaliar nosso relacionamento, e não cheguei a conclusão nenhuma. Pensei em algumas coisas que, hoje, eu acho que mudaria. Eu não sei se ele e eu conseguiríamos fazer diferente, mas esse seria o meu desejo, pelo menos.

A minha principal mudança seria: mais suavidade. É vago, eu sei, mas faz sentido pra mim.

No geral, eu sempre tentei favorecer a intensidade na minha vida. Acho que se eu fosse menos deprimida e se tivesse tido que lutar menos contra a fadiga crônica, isso teria sido algo ainda mais marcante. E intensidade demais dói. Pode até dar uma adrenalina momentânea, mas depois dói. Hoje em dia, eu estou aprendendo, devagar, a ser uma pessoa mais suave. Acho que dá para procurar intensidade e adrenalina em áreas selecionadas da vida, que não machuquem, inclusive, J era bom nisso – mas acho que a necessidade dele de intensidade era bem maior que a minha.

Eu já pensei em perguntar como ele está, mas não pareceu certo. Fiquei com medo de incomodá-lo, de ser a babaca do “oi, sumido”. E também não me senti pronta, porque eu absolutamente não cresci como pessoa desde que nos falamos pela última vez.

Mês passado eu estava tão sozinha que resolvi usar o Tinder. Não gosto daquilo, acho um jeito péssimo de conhecer pessoas. Mas, como eu disse, eu estava sozinha. Queria falar com alguém.
Conheci dois caras… mas achei-os tão irritantes que não aguentei, deixei-os no vácuo. Senti muita falta do J.

Segunda-feira, 1º de março de 2021

Oie

É só eu sentar na frente do computador e eu esqueço todas as coisas que eu pensei em escrever. Juro que sou uma boa escritora – mas só quando não estou escrevendo.
Os últimos dias não foram muito bons. Dormi demais e fiz poucas coisas, meu sono está todo bagunçado.
A cidade onde moro intensificou o lock down, o que é triste. Não aguento mais ouvir falar de vírus, vacinação e etc. Pelo menos faz eu me sentir menos sozinha. Não sou a única desperdiçando a minha vida.
Chegou março, é o mês do meu aniversário. Eu costumava ficar feliz com aniversários, mas faz tempo que isso deixou de ser assim, não desde determinada idade, mas desde que minha vida deixou de correr conforme o planejado.
Eu não tenho mais um plano, pra ser sincera. Não tenho mais muita vontade de voltar para a faculdade de medicina porque, convenhamos, eu odiava aquelas pessoas. E o momento passou.

Estava sentindo falta do J esses dias. Até sonhei que ele vinha falar comigo.
Mas… primeiro, eu ainda não sou uma pessoa inteira, e ele é. Nada podia dar certo desse jeito. Pensei que, talvez, quando eu fosse uma pessoa inteira, pudéssemos nos encontrar novamente.
Depois, lembrei dos defeitos dele. (Não que eu não tenha defeitos, pelo contrário.)
Lembrei do ciúme excessivo, lembrei que ele pode ser intransigente, lembrei que ele faz eu me sentir burra.
Achei que isso era desnecessário.
Isso não quer dizer que eu não goste mais dele e que ele não tenha mil qualidades, obviamente.

Ainda não recebi as fotos dos dez rolos de filmes que mandei revelar. Eu estou realmente ansiosa para isso.
Estou tentando pensar em algum projeto fotográfico que eu possa fazer, mas não consigo ter nenhuma ideia interessante.

E é isso.

Bye.