Segunda-feira, 12 de julho de 2021

Olá

Eu acho que estou postando fotografias porque estou sem ânimo para escrever. Então, em vez de tentar formar frases, eu só escolho uma foto que me agrade.
Sorry about that.




Ontem, eu finalmente terminei de ler It – A coisa. Eu não odiei, mas também não gostei. Acho que é essa a sensação que tive com todos os livros do Stephen King que li até agora. Eu já devia ter parado de comprá-los faz tempo. Aliás, eu deveria parar de comprar livros no geral, porque os que ainda não li estão ocupando um espaço absurdo.


Eu tive uma sequência de cinco ou seis dias bons. Foi maravilhoso. Eu saí de casa, me exercitei, consegui pensar no futuro com esperança e tomei banho todos os dias (pois é rs). Só que hoje não está sendo tão bom. Estou tentando não surtar com isso e acreditar que amanhã as coisas vão voltar aos eixos e que recomeçarei a minha sequência de dias bons e que ela será ainda mais longa desta vez. Não é fácil, mas estou tentando.


Estou morrendo de vontade de ir para alguma outra cidade e fotografar. Nem precisa ser uma cidade realmente turística (inclusive porque pontos turísticos costumam ser extremamente batidos, vide @insta_repeat), só outra cidade. Quero andar pelas ruas e tirar fotos de um lugar diferente. O que me lembra: está meio difícil encontrar filmes para comprar aqui no Brasil nos últimos meses. E o preço está tão caro!
Gostaria de comprar filmes PB. Eu evitava filmes preto e branco porque era difícil abrir mão das cores. E, quando via fotos digitais em preto e branco, achava que eram um pouco inexpressivas. Agora, eu superei a sensação de que estaria perdendo algo (as cores) fotografando em PB e não acho que usando filme as fotos ficam graça como as digitais.
Existe um filme PB da Lomography chamado Fantôme Kino de ISO 8 que eu estou morrendo de vontade de usar, só que não encontro disponível em lugar algum. Ele não é pra todo mundo, como a maioria das coisas da Lomography (honestamente, não sei porquê, bando de intelectuais pedantes huhuhu). É um filme reembalado (não foi produzido pela Lomography) e sua principal característica é o alto contraste. Eu achei isso muito bonito e já que não consigo o Fantôme, tentei reproduzir o contrastão de outra forma: fotografando um filme de ISO 100 ou 400 como 3200 e empurrando na revelação. O resultado ficou interessante, outra hora mostro aqui.


Eu estava falando sobre viajar, mas sei que nas condições atuais, não é uma boa ideia. Fico só sonhando.
E, na verdade, eu nem sei se quero mesmo viajar. Ainda que não existisse pandemia.
Eu me sinto feia.
Isso me desencoraja bastante. Fico adiando coisas que tenho vontade de fazer porque não quero fazê-las assim.
Ultimamente, não sei se minha vontade de ficar em casa isolada do mundo é mais porque me sinto feia ou mais por causa da depressão. Talvez seja 50%/50%, na maioria dos dias. E ouso dizer que quanto mais deprimida estou, mais feia me sinto, então as duas coisas estão meio conectadas.

Quarta-feira, 24 de março de 2021

Oie.

Eu ainda me sinto cansada durante a maior parte do tempo. Não vejo motivos para lutar contra a depressão. Afinal, lutar foi o que fiz durante toda a última década. Se algo fosse funcionar, teria funcionado nos últimos dez anos. As pessoas acham que basta ir ao médico, fazer terapia e tomar um antidepressivo, bem, eu dou risada do quanto isso é ingênuo. Terapia e médicos me traumatizaram demais, e meus remédios apenas me tiram do estado “completamente catatônico” e me colocam no de “profundamente deprimida”, o que ajuda, mas não é o suficiente para uma vida normal.

Eu sei do que estou falando. Vocês, se não estou passando por algo parecido, provavelmente não sabem. E isso é uma merda, porque só aumenta a sensação de isolamento.

A minha vida jamais será do jeito que eu quero. Eu sou um fracasso e isso é irreversível. Eu também sou feia e isso dói em mim. Toda vez que me olho no espelho, toda vez que tiro a roupa para tomar banho, toda vez que abro a câmera do celular, toda vez que olho para as minhas mãos ou para as minhas pernas. Eu sou grande demais, gorda demais. Eu sou um monstro nojento. Eu olho meu rosto e só consigo ver algo redondo e enorme. Os dedos da minha mão são gordos e cheios de dobras. Minhas unhas têm formatos estranhos. Minha pele tem acne. Estrias, estrias, estrias. Eu deito na minha cama com medo da minha pele se romper e formar mais estrias. Eu sou um monstro. Minha barriga globosa, meus peitos caídos, o tamanho do meu sutiã que aumentou um número, um armário de roupas que não serve mais em mim, meu primeiro fio de cabelo branco. Eu não sou apenas feia, eu sou pior do que isso, eu sou disforme, monstruosa, decadente. Quando eu era nova, eu pensava que isso jamais iria acontecer comigo, que eu seria bonita para sempre. Eu não quero viver assim. Não quero. Eu já baixei minhas expectativas demais. Chega.

Eu estou tentando comprar um livro na Amazon faz alguns dias, mas não consigo. Parte de mim acha que eu já tenho muitos livros, e eu não estou com vontade nem de ler esses. A outra parte acha que eu não vou estar aqui quando o pacote da Amazon chegar.

Eu fico pensando na minha mãe. Não me preocupo tanto com os outros. Meu pai é esquisito e ele nunca faz nada mesmo. Grande diferença pra ele. Minha irmã é nova e resiliente, ela vai se recuperar. Eu sei que eles vão cuidar bem da minha gatinha, por sinal melhor do que eu tenho cuidado nos últimos tempo. Ela vai ter uma boa vida. Mas a minha mãe? Ela gosta muito de mim. E ela ainda tem bastante o que fazer por aqui. Não quero que ela fique muito triste.

Domingo, 24 de janeiro de 2021

Olha só, final de janeiro, quase 1/12 de 2021 já foi embora.
E o que eu fiz durante esses dias? Não saí de casa, passei mais tempo do que deveria deitada na cama e fiquei triste.
Ah, finalmente encomendei uns pijamas novos, então tem isso.

Como não tenho com o que me ocupar, eu penso coisas idiotas, por exemplo, sobre como as pessoas me irritam. Lembro de todas as pessoas de quem eu não gosto, de todo mundo que já foi meio merda comigo e sinto raiva desse povo. Aí, pra ser justa, começo a lembrar de todas as vezes em que eu fui meio merda com outras pessoas e fico com mais raiva ainda, porque isso não faz sentido na minha narrativa de eu sou uma pessoa minimamente decente. E é por aí que eu chego à conclusão de que não posso viver em sociedade, ou porque arrancaria a cabeça de alguém ou porque sou uma pessoa horrível demais.

Estou falando coisas sem sentido, desculpe.

Sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Eu pensei em arranjar uma mochila, pegar um ônibus para alguma cidade longe daqui, tirar umas fotos do lugar e voltar. Então, lembrei que estou muito, muito cansada.
Como fico em casa o tempo todo, passo semanas de pijama e os meus estão todos furados ou se desfazendo. Tentei comprar um novo, mas o trabalho de ter que digitar o endereço e número do cartão de crédito foi demais pra mim. Desisti.

Eu já pensei algumas vezes em colocar ordem nessa merda: sentar toda a minha família e dizer pra eles que desse jeito não dá, que assim EU não consigo viver. Já que eu tenho que viver com eles, preciso que eles sejam uma fonte de estabilidade, não de tristeza e frustração. Eu deveria colocar todo mundo na porra da linha, porque se eu não fizer isso, nenhum deles vai fazer. Só que… é, você adivinhou: estou cansada. E, além disso, eu odeio tanto minha família que mal suporto ficar perto deles por muito tempo.

Sigo com o meu desejo de poder dormir para sempre. De preferência, sem sonhar.

Estou cansada demais para ler. Estou cansada demais para aprender qualquer coisa. Estou cansada demais para me exercitar. Estou feia demais para sair de casa. Não quero falar com ninguém porque as pessoas são idiotas.

Quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Andei lendo algumas coisas que escrevi há algum tempo e achei dramático demais, uma porcaria.

Eu estou cansada e deprimida. Tenho algumas ideias e coisas que tenho vontade de fazer, mas a vontade não é suficiente. O cansaço é grande demais. Passo o dia inteiro deitada.

Há alguns dias, eu deveria ter ido ao salão para arrumar meu cabelo, mas não consegui ir. Estava exausta e me sentindo feia demais para sair, nenhuma das minhas roupas serve mais… Isso piorou tudo. Até aquele dia eu estava um pouco mais esperançosa.

Acho que quando alguém está com depressão, pequenos problemas parecem obstáculos insuperáveis.


Eu também não consigo mais ficar nessa maldita casa.
Não aguento meu pai.
Não aguento minha mãe.
Eles não entender porra nenhuma do que eu falo. Eu não acho que eu sou inteligente, mas acho que eles são burros.

E estou indo em uma merda de psiquiatra do HC da USP e do Albert Einstein para quê? Ela não me ajuda em nada.
Ela é extremamente bagunçada com os horários e sequer me avisou que ia sair de férias. Eu tento falar com ela sobre a medicina e não sou compreendida, afinal, ela é tão classista quanto todos os outros. Ela não sabe o que é parto humanizado e acha que hipnose é algo válido. Urgh, eu não aguento esse tipo de coisa, eu não aguento.

Terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Eu estou em um estado além da infelicidade. A tristeza que sinto é permanente, mesmo que, com muito esforço, eu consiga mandá-la embora por alguns meses, ela vai voltar. Tem sido assim pela última década e vai ser assim pelo resto da minha vida, esse vai e vem, alternando entre situações totalmente infernais e as mal apenas suportáveis.
Além da tristeza, também sinto muito ódio. Odeio todo o planeta – com exceção da minha gata – e odeio a mim mesma. De tempos em tempos tenho vontade de morrer. Minha gatinha querida vai ficar bem sem mim, eu sei disso.
Às vezes, penso nos livros e eles me animam um pouco: “posso continuar viva para passar o meu tempo lendo, isso seria até que ok”. Mas estou cansada demais para isso. Não tenho energia suficiente para tirar um livro da prateleira, me concentrar nas páginas, ler linha atrás de linha, procurar palavras no dicionário e nem mesmo para passar muito tempo sentada. Se pudesse, dormiria indefinidamente: uma noite sem sonhos.