Sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Eu pensei em arranjar uma mochila, pegar um ônibus para alguma cidade longe daqui, tirar umas fotos do lugar e voltar. Então, lembrei que estou muito, muito cansada.
Como fico em casa o tempo todo, passo semanas de pijama e os meus estão todos furados ou se desfazendo. Tentei comprar um novo, mas o trabalho de ter que digitar o endereço e número do cartão de crédito foi demais pra mim. Desisti.

Eu já pensei algumas vezes em colocar ordem nessa merda: sentar toda a minha família e dizer pra eles que desse jeito não dá, que assim EU não consigo viver. Já que eu tenho que viver com eles, preciso que eles sejam uma fonte de estabilidade, não de tristeza e frustração. Eu deveria colocar todo mundo na porra da linha, porque se eu não fizer isso, nenhum deles vai fazer. Só que… é, você adivinhou: estou cansada. E, além disso, eu odeio tanto minha família que mal suporto ficar perto deles por muito tempo.

Sigo com o meu desejo de poder dormir para sempre. De preferência, sem sonhar.

Estou cansada demais para ler. Estou cansada demais para aprender qualquer coisa. Estou cansada demais para me exercitar. Estou feia demais para sair de casa. Não quero falar com ninguém porque as pessoas são idiotas.

Terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Eu estou em um estado além da infelicidade. A tristeza que sinto é permanente, mesmo que, com muito esforço, eu consiga mandá-la embora por alguns meses, ela vai voltar. Tem sido assim pela última década e vai ser assim pelo resto da minha vida, esse vai e vem, alternando entre situações totalmente infernais e as mal apenas suportáveis.
Além da tristeza, também sinto muito ódio. Odeio todo o planeta – com exceção da minha gata – e odeio a mim mesma. De tempos em tempos tenho vontade de morrer. Minha gatinha querida vai ficar bem sem mim, eu sei disso.
Às vezes, penso nos livros e eles me animam um pouco: “posso continuar viva para passar o meu tempo lendo, isso seria até que ok”. Mas estou cansada demais para isso. Não tenho energia suficiente para tirar um livro da prateleira, me concentrar nas páginas, ler linha atrás de linha, procurar palavras no dicionário e nem mesmo para passar muito tempo sentada. Se pudesse, dormiria indefinidamente: uma noite sem sonhos.