Segunda, 24 de agosto de 2021

Oie.

Eu comecei a escrever vários posts mas acabei deixando todos pela metade. Acho que estou mais deprimida do que da última vez em que eu tive um blog porque escrever está mais cansativo do que naquela época. Outro motivo para nunca conseguir postar nada pode ser a minha autoconsciência, fico analisando as frases e pensando que elas são uma droga – porque são uma droga mesmo. Eu já fui mais inocente sobre a minha capacidade de escrita e isso me permitia escrever mais. A cada dia eu esqueço mais a gramática que aprendi na escola. Agora, quando eu escrevo, sinto frustração. Eu duvido de cada vírgula, me irrito quando bagunço os tempos verbais, odeio minhas frases curtas, fico tentando construir parágrafos longos sem sucesso e falho para transmitir o que está claro na minha cabeça. Saudade de escrever mal sem saber que escrevia mal.
Isso acontece em várias áreas, né? A gente conhece coisas novas, aprende mais, ganha mais dinheiro e quando olha para trás, pensa: como que eu podia achar aquilo bom? Isso é meio triste porque nem sempre dá para dar conta desses novos padrões de felicidade e de gosto. Claro que nem sempre é o caso, tem coisas que continuam com a gente pelo resto da vida, o que é encantador, e também tem gente que não evolui nunca, o que é triste de um jeito completamente diferente.

Eu pedi um novo diário pela internet. Um dos posts que eu quase fiz falava mais sobre isso, só que talvez ele nunca saia do rascunho, então vou falar neste também. Já há algum tempo eu uso Moleskines, porém o papel dele é meio merda e eu já estava cansada disso. Agora, vou experimentar o Leuchtturm1917 de capa mole! Estou ansiosa, quero que ele chegue logo!

Olha a viagem: pensar em coisas boas me lembrou das coisas ruins. E algumas coisas meio ruins aconteceram. Ontem senti um pouco de dor durante ao escovar meus dentes e percebi que estou com mais retração gengival. Merda. Por que isso está acontecendo? Meus dentes vão ficar feios, vão precisar de canal ou vão cair. Além disso, eu notei que a minha gata tem alguns cravos ao redor da boca. Eu nem sabia que acne felina podia se apresentar desse jeito, mais sutil. Eu só verifiquei porque vi um vídeo no TikTok de alguém espremendo um cravo de um gato Sphynx (bizarro e aleatório). Estou arrasada. Ela é perfeita, não deveria ter nada de errado. Droga, sinto que falhei com a minha gatinha, um ser completamente puro e bom, que nunca fez nada de errado.

Sexta-feira, 30 de julho de 2021

Às vezes, as coisas dão errado, não é mesmo? Acho que este virou um blog de autocomiseração. E por que não? Tudo é chato, tudo é irritante, tudo é triste.

As pessoas me incomodam, elas são a pior parte. Gente velha é defasada e desconectada do mundo atual, gente nova é burra e inexperiente – ambos são arrogantes. Pessoas também são cruéis, além de simplesmente irritantes, crueldades pequenas diárias até aquelas grotescas que te dão náusea. Hoje, antes do café da manhã, eu vi uma notícia sobre como um homem, o chefe da NRA (Associação Nacional de Rifles, organização estadunidense que advoga por… bem, já dá para imaginar pelo quê), e sua esposa, enviaram de Botswana para os Estados Unidos “troféus” oriundos da caçada de um elefante. É possível ver a imagens do casal cortando a tromba do elefante morto, e da mulher segurando-a no alto, com um sorriso no rosto. Os pés do elefante também foram cortados e, então, enviados a um taxidermista.

Pessoas são uma droga. Eu também sou, afinal, sou pessoa. Seria melhor para o mundo se a gente morresse. Espero que isso aconteça um dia.

Não vou revisar esse texto, ele está uma merda mesmo.

Segunda-feira, 12 de julho de 2021

Olá

Eu acho que estou postando fotografias porque estou sem ânimo para escrever. Então, em vez de tentar formar frases, eu só escolho uma foto que me agrade.
Sorry about that.




Ontem, eu finalmente terminei de ler It – A coisa. Eu não odiei, mas também não gostei. Acho que é essa a sensação que tive com todos os livros do Stephen King que li até agora. Eu já devia ter parado de comprá-los faz tempo. Aliás, eu deveria parar de comprar livros no geral, porque os que ainda não li estão ocupando um espaço absurdo.


Eu tive uma sequência de cinco ou seis dias bons. Foi maravilhoso. Eu saí de casa, me exercitei, consegui pensar no futuro com esperança e tomei banho todos os dias (pois é rs). Só que hoje não está sendo tão bom. Estou tentando não surtar com isso e acreditar que amanhã as coisas vão voltar aos eixos e que recomeçarei a minha sequência de dias bons e que ela será ainda mais longa desta vez. Não é fácil, mas estou tentando.


Estou morrendo de vontade de ir para alguma outra cidade e fotografar. Nem precisa ser uma cidade realmente turística (inclusive porque pontos turísticos costumam ser extremamente batidos, vide @insta_repeat), só outra cidade. Quero andar pelas ruas e tirar fotos de um lugar diferente. O que me lembra: está meio difícil encontrar filmes para comprar aqui no Brasil nos últimos meses. E o preço está tão caro!
Gostaria de comprar filmes PB. Eu evitava filmes preto e branco porque era difícil abrir mão das cores. E, quando via fotos digitais em preto e branco, achava que eram um pouco inexpressivas. Agora, eu superei a sensação de que estaria perdendo algo (as cores) fotografando em PB e não acho que usando filme as fotos ficam graça como as digitais.
Existe um filme PB da Lomography chamado Fantôme Kino de ISO 8 que eu estou morrendo de vontade de usar, só que não encontro disponível em lugar algum. Ele não é pra todo mundo, como a maioria das coisas da Lomography (honestamente, não sei porquê, bando de intelectuais pedantes huhuhu). É um filme reembalado (não foi produzido pela Lomography) e sua principal característica é o alto contraste. Eu achei isso muito bonito e já que não consigo o Fantôme, tentei reproduzir o contrastão de outra forma: fotografando um filme de ISO 100 ou 400 como 3200 e empurrando na revelação. O resultado ficou interessante, outra hora mostro aqui.


Eu estava falando sobre viajar, mas sei que nas condições atuais, não é uma boa ideia. Fico só sonhando.
E, na verdade, eu nem sei se quero mesmo viajar. Ainda que não existisse pandemia.
Eu me sinto feia.
Isso me desencoraja bastante. Fico adiando coisas que tenho vontade de fazer porque não quero fazê-las assim.
Ultimamente, não sei se minha vontade de ficar em casa isolada do mundo é mais porque me sinto feia ou mais por causa da depressão. Talvez seja 50%/50%, na maioria dos dias. E ouso dizer que quanto mais deprimida estou, mais feia me sinto, então as duas coisas estão meio conectadas.

Pôr do sol


Essa foto está no meu desktop, por algum motivo que eu desconheço, e eu não a apago porque fico com medo de ser o único arquivo que tenho dela.

Quarta-feira, 5 de maio de 2021

Oie

Eu sinto falta do J e penso bastante nele, imagino o que ele está fazendo e se ele está bem, penso que queria que ele estivesse aqui comigo. Às vezes estou olhando o Instagram e vejo algo engraçado ou idiota e tenho vontade de mostrar pra ele, ou me sinto muito triste e é nessas horas que mais tenho vontade de conversar com alguém que entenda o que eu estou falando, e o J sempre entendia.

Nesse tempo, tentei avaliar nosso relacionamento, e não cheguei a conclusão nenhuma. Pensei em algumas coisas que, hoje, eu acho que mudaria. Eu não sei se ele e eu conseguiríamos fazer diferente, mas esse seria o meu desejo, pelo menos.

A minha principal mudança seria: mais suavidade. É vago, eu sei, mas faz sentido pra mim.

No geral, eu sempre tentei favorecer a intensidade na minha vida. Acho que se eu fosse menos deprimida e se tivesse tido que lutar menos contra a fadiga crônica, isso teria sido algo ainda mais marcante. E intensidade demais dói. Pode até dar uma adrenalina momentânea, mas depois dói. Hoje em dia, eu estou aprendendo, devagar, a ser uma pessoa mais suave. Acho que dá para procurar intensidade e adrenalina em áreas selecionadas da vida, que não machuquem, inclusive, J era bom nisso – mas acho que a necessidade dele de intensidade era bem maior que a minha.

Eu já pensei em perguntar como ele está, mas não pareceu certo. Fiquei com medo de incomodá-lo, de ser a babaca do “oi, sumido”. E também não me senti pronta, porque eu absolutamente não cresci como pessoa desde que nos falamos pela última vez.

Mês passado eu estava tão sozinha que resolvi usar o Tinder. Não gosto daquilo, acho um jeito péssimo de conhecer pessoas. Mas, como eu disse, eu estava sozinha. Queria falar com alguém.
Conheci dois caras… mas achei-os tão irritantes que não aguentei, deixei-os no vácuo. Senti muita falta do J.

Mais algumas fotos analógicas…

Oi…

Agora, não lembro se usei a minha Pentax ou a Nikon, mas foi uma das duas. E o filme, claro, é o LomoChrome Purple, da Lomography.

A primeira foto me lembrou a música Little Bird, da Annie Lennox.

~ I wish I had the wings to fly away from here ~

Vou colocar o link aqui porque eu acho que ela está linda no vídeo e porque a música e a letra são ótimas.

Hm, eu gostaria de estar assistindo clipes de músicas e bebendo martini rosa. Que merda, não moro mais sozinha. Isso é realmente chato.


Até. :(

Quarta-feira, 24 de março de 2021

Oie.

Eu ainda me sinto cansada durante a maior parte do tempo. Não vejo motivos para lutar contra a depressão. Afinal, lutar foi o que fiz durante toda a última década. Se algo fosse funcionar, teria funcionado nos últimos dez anos. As pessoas acham que basta ir ao médico, fazer terapia e tomar um antidepressivo, bem, eu dou risada do quanto isso é ingênuo. Terapia e médicos me traumatizaram demais, e meus remédios apenas me tiram do estado “completamente catatônico” e me colocam no de “profundamente deprimida”, o que ajuda, mas não é o suficiente para uma vida normal.

Eu sei do que estou falando. Vocês, se não estou passando por algo parecido, provavelmente não sabem. E isso é uma merda, porque só aumenta a sensação de isolamento.

A minha vida jamais será do jeito que eu quero. Eu sou um fracasso e isso é irreversível. Eu também sou feia e isso dói em mim. Toda vez que me olho no espelho, toda vez que tiro a roupa para tomar banho, toda vez que abro a câmera do celular, toda vez que olho para as minhas mãos ou para as minhas pernas. Eu sou grande demais, gorda demais. Eu sou um monstro nojento. Eu olho meu rosto e só consigo ver algo redondo e enorme. Os dedos da minha mão são gordos e cheios de dobras. Minhas unhas têm formatos estranhos. Minha pele tem acne. Estrias, estrias, estrias. Eu deito na minha cama com medo da minha pele se romper e formar mais estrias. Eu sou um monstro. Minha barriga globosa, meus peitos caídos, o tamanho do meu sutiã que aumentou um número, um armário de roupas que não serve mais em mim, meu primeiro fio de cabelo branco. Eu não sou apenas feia, eu sou pior do que isso, eu sou disforme, monstruosa, decadente. Quando eu era nova, eu pensava que isso jamais iria acontecer comigo, que eu seria bonita para sempre. Eu não quero viver assim. Não quero. Eu já baixei minhas expectativas demais. Chega.

Eu estou tentando comprar um livro na Amazon faz alguns dias, mas não consigo. Parte de mim acha que eu já tenho muitos livros, e eu não estou com vontade nem de ler esses. A outra parte acha que eu não vou estar aqui quando o pacote da Amazon chegar.

Eu fico pensando na minha mãe. Não me preocupo tanto com os outros. Meu pai é esquisito e ele nunca faz nada mesmo. Grande diferença pra ele. Minha irmã é nova e resiliente, ela vai se recuperar. Eu sei que eles vão cuidar bem da minha gatinha, por sinal melhor do que eu tenho cuidado nos últimos tempo. Ela vai ter uma boa vida. Mas a minha mãe? Ela gosta muito de mim. E ela ainda tem bastante o que fazer por aqui. Não quero que ela fique muito triste.

Quinta-feira, 18 de março de 2021

Oi.

Ontem foi meu aniversário, então agora eu tenho 27 anos, parabéns pra mim. Foi uma merda, eu dormi, nem tirei o pijama e fiquei pensando sobre morrer.
Tem sido assim ultimamente. Tudo me dá agonia, os dias são tediosos e eu penso sobre morrer na maior parte do tempo.

Eu sou um fracasso tão grande.

Eu quero tanto morrer logo.

Segunda-feira, 1º de março de 2021

Oie

É só eu sentar na frente do computador e eu esqueço todas as coisas que eu pensei em escrever. Juro que sou uma boa escritora – mas só quando não estou escrevendo.
Os últimos dias não foram muito bons. Dormi demais e fiz poucas coisas, meu sono está todo bagunçado.
A cidade onde moro intensificou o lock down, o que é triste. Não aguento mais ouvir falar de vírus, vacinação e etc. Pelo menos faz eu me sentir menos sozinha. Não sou a única desperdiçando a minha vida.
Chegou março, é o mês do meu aniversário. Eu costumava ficar feliz com aniversários, mas faz tempo que isso deixou de ser assim, não desde determinada idade, mas desde que minha vida deixou de correr conforme o planejado.
Eu não tenho mais um plano, pra ser sincera. Não tenho mais muita vontade de voltar para a faculdade de medicina porque, convenhamos, eu odiava aquelas pessoas. E o momento passou.

Estava sentindo falta do J esses dias. Até sonhei que ele vinha falar comigo.
Mas… primeiro, eu ainda não sou uma pessoa inteira, e ele é. Nada podia dar certo desse jeito. Pensei que, talvez, quando eu fosse uma pessoa inteira, pudéssemos nos encontrar novamente.
Depois, lembrei dos defeitos dele. (Não que eu não tenha defeitos, pelo contrário.)
Lembrei do ciúme excessivo, lembrei que ele pode ser intransigente, lembrei que ele faz eu me sentir burra.
Achei que isso era desnecessário.
Isso não quer dizer que eu não goste mais dele e que ele não tenha mil qualidades, obviamente.

Ainda não recebi as fotos dos dez rolos de filmes que mandei revelar. Eu estou realmente ansiosa para isso.
Estou tentando pensar em algum projeto fotográfico que eu possa fazer, mas não consigo ter nenhuma ideia interessante.

E é isso.

Bye.